
A história da modelo Waris Dirie é
impressionante. Nascida na Somália, numa família tradicional de doze filhos,
numa tribo de nômades do deserto africano. Neste livro conta a sua vida, as
brincadeiras com os irmãos, as corridas de camelos e a mutilação genital
imposta por uma anciã, quando tinha apenas cinco anos de idade, como costume
antigo aplicado a quase todas as meninas somalis. O livro relata alerta para o
problema da mutilação genital e conta em por menor este bárbaro costume.
O pai de Waris Dirie tentou
negociar o seu casamento, quando tinha apenas doze anos de idade, com um
desconhecido de sessenta anos em troca de cinco camelos, e Waris para fugir do
casamento não desejado, atravessa a pé o deserto africano até chegar à capital
Mogadíscio e daí a Londres. O livro narra à história da fuga, a sua chega a
Londres, o seu trabalho como empregada do embaixador da Somália, posteriormente
o seu trabalho como faxineira do MacDolnalds onde foi descoberta por um
fotógrafo de moda. Flor do Deserto é o relado verídico da moda de Waris Dirie,
e tudo o que é descrito é baseada na memória da autora.
A denúncia da mutilação das
mulheres somalis é o grande objetivo da obra Flor do Deserto. Através da sua
biografia, a modelo africana Waris Dirie, atravessa as fronteiras da Somália e
mostra ao mundo o lado grotesco de sua cultura.
Bom muitos de vocês já devem ter
ouvido falar dela, mas talvez não conheçam a história a fundo. Eu tinha ouvido
falar, mas, achava que fosse algo restrito a algumas tribos e não tinha noção
de quão absurdo é o processo. Simplesmente, a sangue frio, sem condições de higiene
e anestesia, pegam um objeto cortante qualquer e cortam a vagina da menina
(geralmente entre 05 e 10 anos de idade). Tiram o clitóris, os pequenos lábios
e parte dos grandes lábios. Ou seja, decepam a vagina das meninas. Em seguida,
fazem furos (com espinhos ou o que tiverem de perfurante à mão) e costuram a
vagina. Deixam um buraco da grossura de um palito para que a urina e o resíduo
menstrual possam, literalmente, pingar. A recuperação, obviamente, é tão brutal
quanto à operação em si (se é que pode se chamar de operação). Amarram as
pernas da menina e a deixam se recuperar naturalmente. Afinal, em países
Somália e Etiópia onde se toma água a cada dois dias, remédios é um luxo que a
maioria morre sem saber que existe. É claro que muitas dessas meninas morrem
com gangrena, infecções e hemorragias. As que sobrevivem sofrem sérias
conseqüências. Suas cólicas menstruais são mais fortes, muitas desenvolvem
tumores porque o resíduo menstrual acaba se acumulando dentro delas e isso sem
falar que nunca sentirão prazeres sexuais. Como mulher e ser humano fiquei
chocada ao ler isso, só de pensar na dor que essas meninas devem sentir me dói
o coração.
Não se sabe bem da origem desse
costume, mas sabe-se que muitos acreditam que somente assim manterão a castidade
de suas filhas e fidelidade de suas esposas. Como as mães passam por isso e os
pais foram educados assim, acabam passando adiante a prática em suas filhas.
Segundo a ONU, cerca de 02 milhões de meninas por ano passam por isso. Quando
elas casam, o marido arrebenta a vagina da coitada no ato sexual ou, para
facilitar, abre com uma faca. Depois que elas tem um filho, são costuradas
novamente para que o marido possa receber sua mulher fechadinha de novo. E elas
nem imaginam que isso não ocorre com o resto das mulheres no mundo. Para elas é
normal. E, as que não são mutiladas, são consideradas sujas pelos outros homens
e sem valor.
O Livro da Origem ao Filme: Flor
do Deserto.
Em 1998 a autobiografia da Waris
tornou-se “Best-seller” mundial. Desde então, com sua luta massiva e interrupta
pela proibição da circuncisão no mundo, a ex-nômade foi nomeada Embaixadora
Itinerante da ONU contra a Mutilação Feminina. Figura central de um
documentário da BBC sobre o tema e, agora, personagem principal de um longa-metragem.
O filme é muito lindo e
emocionante, não é difícil entender a história de Waris porque desperta tanto
fascínio em quem tem a oportunidade de ler seu livro ou de assistir o filme que
é baseado em sua história. Tais materiais traçam um relato exato da conturbada
fuga de uma garota que, de tão magra, nem parecia ter forças para sustentar, e
mesmo assim se lançou na travessia de um deserto da região. Para Waris o que
importa é a divulgação de um traço cultural que continua causando irreversíveis
danos físicos e psicológicos às mulheres somalis.
A modelo Liya Kebede que faz o
papel da protagonista do filme da vida de Waris que consegue conferir um
realismo impressionante à personagem à identificação é quase instantânea entre
atriz e personagem, e tem uma semelhança física muito grande entre as duas
mulheres.
Quem tiver oportunidade lê o
livro ou assistir ao filme se prepara para duas horas de representação chocante
de uma realidade muito triste.
O filme segue fielmente o relato
de Waris, embora não exatamente em uma ordem cronológica. A beleza singular de
Waris Dirie foi descoberta pelo fotógrafo Terry Donaldson (Timothy Spall)
enquanto ela trabalhava como faxineira na unidade do MacDonald.
Flor do Deserto tem muito para
mostrar é um filme totalmente oportuno com sua denuncia, ganhando peso com
testemunho devastador de Waris Dirie para uma jornalista onde explica,
detalhadamente, os métodos cirúrgicos de sua circuncisão. No final do filme com
letras grandes confirma que mais de seis mil mulheres são vitimas dessa prática
intolerável diariamente, Flor do Deserto é um filme obrigatório. Este filme foi
lançado em 2010.
Tem uma passagem no livro onde as
escritoras dizem que “... Nem uma folha da árvore cai sem a permissão de
Deus”...
Por isso Waris Darie sobreviveu
ao deserto, à exploração, a fome, e ao preconceito e tudo mais. Pois havia um
propósito para todo esse sofrimento. Através dela, o mundo precisava saber o
quanto as mulheres somalianas sofrem e morrem por causa de uma prática arcaica,
brutal e ignorante. Ela venceu. E penso que através da sua história de vida ela
colaborou para que muitas outras mulheres em seu país vencessem também.
Vale apena ler o livro e ver o
filme, uma mulher de fibra, caráter além de servir para conhecermos como vivem
outros povos de outra cultura.
HELENA
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