segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Divagações




Escolher um título para uma crónica é, de facto, um dos pormenores mais complicados nesta tarefa de cronista. Porque tem de ser, ao mesmo tempo, sucinto, apelativo e ligado ao texto. De seguida, surge o tema da crónica, em termos de uma escala de dificuldade na composição deste conjunto de palavras que agora vos apresento. Há quem diga que há mais temas que textos, mas como dizer isso na altura que o cronista tem de tomar uma opção? Até parece heresia! Em terceiro e último lugar, vem aquilo a que a maioria dos cronistas nem costuma tomar em grande atenção – agradar aos leitores. Mas eu costumo concentrar-me nesta tríade de objectivos.


Enfim, serve este pequeno intróito, para apresentar ao estimado leitor que, apesar de aparentemente ser um acto de somenos importância ou de grande facilidade, escrever “tem muito que se lhe diga”, como costuma afirmar o povo, e com toda a razão do mundo.
Não sendo um veterano nestas andanças, não serei, igualmente, um novato. Se cada crónica representasse o mesmo que as internacionalizações dos jogadores, então teria já recebido uma salva em prata, comemorativa da primeira centena. Mas, como todos sabemos, ninguém dá grande interesse mediático (ou outro) aos pobres-tolos que escrevinham. O que interessa são os golos, as canções entoadas a preceito. O que é, afinal, uma crónica ou um livro? Na grande maioria das vezes, são apelidadas de feira de vaidades.
Mas eu sou apologista, até porque dele faço parte, a ir pela “boca do povo” e se “o povo” não dá grande valor aos escritores – apesar de considerar que eles devem ter uma trabalheira imensa a digitar tantas palavras –, optando por nem lhes comprar os livros, eu sinto-me tentado a acreditar que a minha arte - à qual me dedico deste bem novo, com o afinco próprio do mais interessado profissional de qualquer ramo de actividade - afinal de contas, não é mesmo nada de especial.
A verdade é que eu estou aqui a escrever este texto e tenho a certeza que quase ninguém o irá ler. E que, quem o fizer, interessar-se-á mais em criticar, do que propriamente em entender as minhas palavras.
Quiçá, se gastassem o mesmo tempo mental a perceber as minhas palavras de maneira tão afincada como gastam a discutir tácticas de um jogo de futebol, fossem, de seguida, a uma livraria, e investissem algum do seu tempo e dinheiro na leitura de uma qualquer obra literária.
Mas, tal como todos, eu sou um fanático do futebol. Vibro, imenso, com o meu Sport Lisboa e Benfica. Choro com as derrotas, grito com os golos, exulto com as vitórias. Ou seja, um adepto à maneira antiga.
Pois é, estarão a indagar-se? Sendo assim, qual a coerência em todo o texto?
Bem, se querem mesmo saber – e, se ainda continuam a ler o texto é porque, de uma qualquer maneira incompreensível, tiveram interesse em continuar, é porque querem saber – a verdade é que, independentemente, do meu grau de ligação ao futebol, à música, a uma boa noite de sono, a uma lauta refeição, o facto é que nada disso impede, antes pelo contrário, de gostar de ler e de apreciar imenso escrever.
Não custa nada ler; não custa nada optar por adquirir um livro. Nada disso impede a pessoa de ver um jogo de futebol. Não há incompatibilidade. Se todos pensassem um pouco nisto, talvez tivessem interesse em ir a uma livraria e comprar um livro deste vosso autor que aqui vos escrever, ou de outro qualquer. Talvez os escritores ganhassem um maior mérito aos olhos de todos. Talvez pudessem viver do fruto do seu trabalho. Talvez todos nós ficássemos ligeiramente mais eruditos. Talvez os habitantes de Tomar sentissem mais orgulho em saber que um filho de terra é escritor, e que as suas obras são lidas por esse mundo fora. Talvez, antes disso, os habitantes de Tomar quisessem, apenas, saber quem é o Pedro Silva. O que escreve, porque escreve.
Talvez eu seja apenas um sonhador. Um louco, dirão alguns. Um ser utópico, dirão outros.
Mas, quem me pode contrariar, quando eu afirmo, a plenos pulmões, que a minha missão é tentar, a cada dia, angariar mais um ou outro leitor? Porque não posso acreditar que este texto poderá cativar alguém a interessar-se pelos meus livros? Tenho o direito a sonhar.
E, quem sabe, quando acordar, tenha uma bela surpresa?

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